Quais são as suas intenções?

Quais são as suas intenções?

Intencionalidade Educacional

Sabe quando você está se matando de dar uma aula maravilhosa e de repente  decide voltar sua atenção, que estava até então inteiramente focada em seu fazer, e olha para os seus alunos,  qual não é sua surpresa quando os percebe totalmente absortos na sala de aula. Uns olham para o celular, outros para a parede e ainda os que dormem profundamente.  

Então, a neurociência pode te ajudar a entender essa situção e mais do que isso ela pode te ajudar a colocar intenção nas suas maravilhosas aulas. Porque é assim…

Estudos mostram que uma parte dos neurônios do córtex pré-motor, são ativados não apenas quando realizamos uma ação, mas também quando observamos um outro alguém realizando uma ação. Segundo esse trabalho, os neurônios disparam automaticamente uma ação através da simples observação. 

A intencionalidade é um ganho evolutivo da motricidade involuntária, que são os comportamentos inatos, nela pressupomos alocação de propósitos e ações deliberadas com um objetivo em mente, e um plano para realizá-lo. Na educação, o ensino intencional significa que os professores agem com objetivos específicos em mente para atingir as suas crianças/adolescentes.

Portanto a intencionalidade é uma abertura latente para o aprendizado, pois o adolescente se expressa melhor quando está consciente de seu comportamento. Ter consciência sobre a intenção é fundamental para modular o comportamento, assim o propósito é determinado e a intencionalidade de todas as atividades têm um significado. 

Professores que promovem o ensino intencional, contribuem para os resultados da aprendizagem e desenvolvimento do aluno, tentam tornar os padrões acadêmicos significativos, ao mesmo tempo em que orientam, ampliam os interesses e a curiosidade dos mesmos. 

Para tanto o foco deve estar nos alunos, no comportamento intencional, e não no professor. Se o professor centra sua atenção apenas no conteúdo que precisa ministrar, o foco estará nele, não na observação fundamental dos comportamentos dos alunos. E nesse sentido perde-se a percepção de que forma aquele conteúdo está sendo incorporado no aluno, e o quanto a aula é motivadora e interessante.

Quando a intencionalidade do professor não esta nos alunos, dificilmente a intencionalidade dos alunos estará na aula, é preciso construir intenção para gerar aprendizado, e isso não se faz de forma verbal, se faz através da modelagem, da padronização de estímulos. 

O cotidiano em uma sala de aula nos mostra o quanto a intencionalidade esta distante do ambito escolar, uma vez que o ensino intencional precisa responder às interações das crianças e aos objetivos gerais do currículo. Prestar atenção exige intencionalidade e o indivíduo escolhe fazer isso, onde há comportamento intencional, não há reflexo, mecanismo atencional é um comportamento intencional.

A intenção modula o comportamento, é através dela que comparamos o binômio: resultado esperado/resultado obtido. O domínio de qualquer habilidade geralmente vem de uma dose saudável de automatismo, sem que este represente estreitamento de repertório nem restrição de experiências. Automatismo, implica em proficiência, e proficiência é conforto, não uma robotização.

E para colocar uma intenção nesse texto não posso termina-lo sem citar  o estudioso Merleau-Ponty, que diz: 

“a intencionalidade não é de forma alguma representação mental, mas de resposta corporal e espontaneidade habilidosas em ações diretas. Atitudes intencionais não são meros feixes de capacidades sensório-motoras, mas modos de existência.”

Então, quais são as suas intenções?

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *